EQUINÓCIO VERNAL, O INÍCIO DO ANO NOVO ZODIACAL

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As mais antigas denominações das constelações são originárias da Babilônia, mas o signo que atualmente conhecemos como Áries não existia nos zodíacos antigos. Em seu lugar havia uma constelação chamada Hireling, que simbolizava um trabalhador manual. Foram os egípcios que nos deixaram o nome de Áries, representado ora como ovelha, ora como carneiro. Áries representa o poder do ego individual emergindo do oceano coletivo, o próprio impulso de ser; por isso ele simboliza o novo, a iniciativa e os começos, sendo o primeiro signo na roda zodiacal. Quando o Sol, no seu movimento aparente, passa do hemisfério sul para o hemisfério norte e o dia é igual à noite comemora-se o Equinócio Vernal (21/03), que assinala a entrada da primavera no hemisfério norte e do outono no hemisfério sul. Esta data é especialmente valorizada pelos astrólogos, por corresponder ao início do Novo Ano Zodiacal.
O mais importante festival do calendário babilônio, comemorado no equinócio vernal, era o começo do Ano Novo, quando ocorriam as akitu, cerimônias de doze dias que incluíam rituais para purificação e regeneração, uma encenação da criação do mundo surgindo do caos original e a sintonização com os ritmos e as energias da Natureza. As cerimônias eram finalizadas com o rito do “casamento sagrado” – o hieros gamos – entre o rei (que representava o Deus) e a sacerdotisa (representante da Deusa), cujo objetivo era assegurar a fertilidade do reino. Por ser uma data muito importante e uma ocasião de alegria e renovação – humana e da natureza -, seguiam-se festas públicas e comemorações durante vários dias.
Na Palestina o equinócio vernal também detinha um papel preponderante nas celebrações do deus El (modificado para Elohim no Velho Testamento) e das deusas Asherah – sua esposa e mãe dos demais deuses – e Anath. Este culto palestino foi adotado pelos israelitas que cultuavam os deuses Baal e Astarte, até sua proibição e perseguição pelos patriarcas hebreus, adoradores ferrenhos e fanáticos de Jeová. A existência da reverência aos ciclos e elementos da natureza na herança judaica é atestada pela orientação exata do templo de Salomão (que era a construção religiosa mais valiosa para os judeus e depois para os cristãos) para o nascente do Sol no equinócio de primavera. Neste momento, a luz solar entrava pelo vão do portal e brilhava sobre o altar central do divino, um fato natural, mas que fazia parte do cerimonial, sendo um momento muito importante e de intensa reverência religiosa.
Os povos mediterrâneos continuaram a celebrar o equinócio da primavera como o início do Novo Ano; evidências encontradas nos sítios megalíticos das Ilhas Britânicas confirmam a existência destas tradições também entre os antigos povos celtas. Para os romanos várias celebrações como Lupercália, Matronália, Hilária marcavam o “Novo Ano Zodiacal”, comemorado até a instauração do calendário gregoriano em 1582. O “Novo Ano” passou a ser comemorado no dia primeiro de janeiro, o nome do mês derivado de Janua, a “Deusa Guardiã das Portas” (transformada depois no deus Janus), que tinha duas faces, uma olhando para frente, outra para trás. O festival de renovação anual passou a ser Saturnalia, dedicado ao deus do tempo, Cronos (ou Saturno) e celebrado próximo ao solstício de inverno (em dezembro). Mesmo assim, alguns países europeus continuavam a celebrar seu “Novo Ano” no equinócio de primavera, como França (até 1564), Escócia (1600), Alemanha protestante (1700), Rússia e alguns países ortodoxos até 1706, Inglaterra (1752), Suécia (1753). Grécia adotou o dia primeiro de janeiro como data oficial do “Novo Ano” apenas no século 20.
Na Roda do Ano celta o equinócio vernal marca a metade do intervalo entre dois Sabbats – Imbolc e Beltane; ele representa o equilíbrio (entre luz/escuridão, dia/noite, masculino/ feminino), a entrada do Sol em Áries e uma oportunidade cósmica e ritualística de introspecção, avaliação e renovação, antes de iniciar as mudanças e os projetos necessários, para marcar de fato, o começo de um “Novo Ano zodiacal”.
No calendário cristão existem duas datas adaptadas do equinócio vernal: a primeira é a “Festa da Anunciação da Virgem Maria” no dia 25 de março, escolhida para transcorrer um prazo de nove meses até o suposto nascimento de Jesus em 25 de dezembro. Esta data, nas antigas culturas, correspondia aos festivais das deusas Ártemis/Diana, nas suas apresentações como “Mãe Divina, a Senhora dos Mil Seios”, cuja estátua se encontrava no antigo templo de Éfeso (considerado uma das Sete Maravilhas do mundo antigo). No ano de 451, devido à pressão popular, o Concílio de Éfeso proclamou Maria “Mãe de Deus”, dando assim a aprovação oficial para sua adoração pelos cristãos, antes pouco incentivada e até mesmo reprimida. O Concílio consagrou o antigo templo de Ártemis como um local sagrado para Maria, acreditando-se que ela teria passado seus últimos anos de vida neste lugar. Alguns grupos neo-pagãos estão resgatando a antiga importância desta data denominando-a Lady Day, dedicada à Deusa e aos antigos rituais primaveris de renovação das deusas Ártemis, Astarte, Athena, Cibele, Diana, Ísis, Juno, Luna.
A segunda data do calendário pagão adotada pela igreja cristã é a Páscoa, que guarda o antigo significado da vitória da luz (o Sol da primavera substituído por Jesus) sobre a escuridão do inverno (a morte). Um antigo motivo mitológico de várias culturas era a descida da Deusa para o mundo subterrâneo, onde ela permanecia três dias e depois ressurgia, devolvendo a vida e a fertilidade da terra, no início da primavera, após a ausência da vegetação e a aridez dos meses de inverno. Os três dias correspondem à lua negra, período em que a Lua não é visível no céu (representando a estadia da Deusa no reino da escuridão). Este mesmo prazo foi adotado pelo cristianismo para a duração do sepultamento de Jesus, a sua ressurreição se dando no terceiro dia, que é o domingo de Páscoa.
O nome em inglês e alemão para a Páscoa – Easter e Östern – foi tomado “emprestado” da celebração pagã das deusas Eostre (celta) e Ostara (saxã), regentes da primavera e da fertilidade, celebradas na lua cheia mais próxima do equinócio de primavera. Como a igreja não comemora as luas cheias – pelo contrário, sempre ignorou e condenou os rituais lunares – a solução encontrada foi marcar a Páscoa para o primeiro domingo, após a primeira lua cheia, depois do equinócio vernal. Porém, se este domingo cair na lua cheia, a Páscoa é adiada – sem outras explicações – para o domingo seguinte. A data da Páscoa ortodoxa varia até treze dias de diferença (antes ou depois da Páscoa católica) devido ao uso prolongado do calendário Juliano pela igreja ortodoxa, enquanto a católica passou a usar mais cedo o sistema gregoriano.
Ostara era uma deusa teutônica da aurora e da vitalidade, chamada “Madrugada Radiante”, regente do renascimento da vegetação na primavera e da fertilidade (vegetal, animal e humana), equivalente a Eostre, a deusa anglo-saxã da primavera. Ambas eram representadas como jovens coroadas com flores, segurando uma cesta com ovos e cercadas por lebres, sendo celebradas com canções, danças e alegres procissões de mulheres enfeitadas com guirlandas de folhas e flores. Elas recebiam oferendas de ovos tingidos, pintados ou decorados com símbolos tradicionais e pães e roscas doces em forma de lebres, animais associados à Lua e renomados pela sua fertilidade. Os seus nomes deram origem ao hormônio feminino (estrógeno), ao cio (estrum) e à denominação da Páscoa (Östern em alemão e Easter em inglês). Os seus atributos mágicos e os símbolos a eles associados foram adotados como objetos festivos e significativos na comemoração da Páscoa cristã, fato que perpetuou a antiga egrégora do Sabbat Ostara, sem que a Igreja explicasse a enigmática relação entre Jesus, os coelhos e os ovos. A sobreposição de símbolos pagãos e cristãos foi a maneira encontrada pela Igreja cristã para erradicar as antigas celebrações desse Sabbat, equiparando a ressurreição de Jesus ao simbolismo pagão do equinócio – do renascimento da terra na primavera – preservando as imagens do ovo e inventando “o coelhinho da Páscoa”, substituto da lebre.
Resquícios do mito da deusa celta Ostara, padroeira da fertilidade e renovação da Natureza celebrada no equinócio da primavera, permaneceram nas crenças populares e persistem até os dias de hoje, apesar das pessoas desconhecerem sua origem. Os símbolos de Ostara eram o ovo e a lebre, sem relação entre si, mas ambos significadores de criação, renovação e proliferação. Com o passar do tempo, surgiram os contos do “Coelho da Páscoa” e a sua inexplicável associação para os leigos com a festa cristã e os ovos de chocolate.

SIMBOLISMOS OCULTOS DO OVO
Na cosmologia da Deusa o ovo é um símbolo universal da criação do mundo pela Grande Mãe, manifestada como uma “Deusa Pássaro”. Em vários mitos das antigas culturas da Ásia, Polinésia, África, do norte europeu e das Américas, encontram-se descrições semelhantes do nascimento do universo, quando ele emerge de um ovo cósmico, atribuído à fértil força geradora feminina, a Grande Mãe.
No Egito, a deusa Hathor se metamorfoseou na “Gansa do Nilo” e pôs um ovo dourado do qual nasceu Rá, o Sol, o hieróglifo egípcio para ovo sendo o mesmo do embrião humano. Nos rituais egípcios, o próprio universo era visto como o ovo cósmico criado no início dos tempos. Nos sarcófagos aparecia um ovo alado flutuando acima da múmia e levando a alma para renascer em outro corpo.
Os celtas também reverenciavam a “Mãe Gansa” e os havaianos acreditavam que sua ilha surgiu do ovo de um gigante pássaro. Na mitologia grega, Nyx, a deusa da noite, foi fecundada pelo vento e pôs um ovo prateado do qual surgiu a Terra. A lenda finlandesa da criação atribui à deusa Ilmatar – que flutuava sobre as águas primordiais- a criação do Sol, do céu e da Terra, a partir do ovo posto sobre seus joelhos por um misterioso pássaro celestial. Os índios Cahuilla descrevem a criação do mundo surgindo de uma substância cósmica branca, nascida da escuridão; atingida por um raio de luz, esta massa amorfa gerou dois ovos dos quais surgiram um casal de gêmeos divinos, que criaram a Terra e todos os seres vivos. Os índios Omaha acreditavam que no início não havia nada além do silêncio, mas um grande pássaro-serpente apareceu de repente e deixou cair um ovo, que ficou flutuando sobre as águas e dele surgiu a vida.
Os mitos gregos associavam diversas deusas com o ovo cósmico, como por exemplo, Leto, que, fecundada por Zeus, gerou um ovo misterioso do qual nasceram os gêmeos Apollo, representando o Sol, e Ártemis simbolizando a Lua. O historiador Hesíodo relata como a “Mãe da Noite” (o vazio ou abismo cósmico, o espaço infinito), que antecedeu à criação e gerou todos os deuses, criou o “Ovo do Mundo” e de suas metades surgiram o céu e a Terra. Em outra versão, deste ovo (identificado com a Lua) surgiu Eros (o amor), que colocou o universo em movimento e contribuiu para a proliferação da vida. O “Ovo do Mundo” é o símbolo microcósmico do protótipo macrocósmico, “a mãe virginal do caos”.
Para os hindus, o ovo cósmico era a própria criação; no inicio do mundo não existia nada até aparecer um grande ovo, posto por um enorme cisne dourado e que depois de incubado durante um ano se abriu em duas metades, uma dourada, outra prateada- o céu e a terra -, enquanto as membranas se tornaram montanhas, nuvens, rios e mares. Os antigos chineses atribuíam o nascimento do primeiro homem saindo de um ovo posto pelo “Grande Pássaro” Tien.
Pelo fato que o ovo personifica a essência da vida e seus vários estágios de desenvolvimento, desde a antiguidade os povos lhe atribuíram poderes mágicos, tanto para criar a vida, quanto para prever o futuro. Os ovos simbolizam fertilidade, nascimento, renascimento, longevidade e imortalidade; ingeri-los significava absorver suas qualidades, assim como lhes era atribuído o dom de fertilizar a terra. Alguns povos tinham tabus religiosos, filosóficos ou ligados a crendices e superstições, associados com a alimentação com ovos. Os romanos destruíam as cascas dos ovos que eles tinham comido para evitar que fossem feitos feitiços com eles.
Os ovos são símbolos da Lua, da Terra, da criação, do nascimento e da renovação. A iniciação nos Mistérios Femininos é vista como um renascimento, análogo ao ato de sair da casca. O círculo, a elipse, o ovo, o ventre grávido são símbolos da plenitude misteriosa da gestação e da criação. O centro de um círculo é um espaço protegido e seguro, semelhante à escuridão do ventre e do ovo. Inúmeras estatuetas representam as deusas neolíticas, associadas com a Lua ou o ovo. Os alquimistas consideravam o ovo filosofal como o receptáculo de todos os elementos da vida, da matéria e do pensamento. O ovo personifica o poder de nascer através da fecundação exemplificado pelo óvulo, contendo em si todos os elementos essenciais para o seu desenvolvimento. A presença de ovos nos sonhos deu margem a variadas interpretações, os que apareciam inteiros prenunciavam boa sorte, casamento, gravidez ou herança; se fossem quebrados anunciavam brigas, perdas e separações.
Um provérbio latino – omnum vivium ex ovo – resume a antiga sabedoria de que “toda a vida se origina do ovo”. Os ovos têm sido símbolos milenares da fertilidade, nascimento, vida e eternidade. Oferendas de ovos de argila foram encontradas em túmulos da Idade da Pedra na Rússia, na Suécia, nos países eslavos e mediterrâneos, com objetivo de assegurar a vida pós-morte. Os antigos hebreus comiam ovos após os enterros, para garantir a continuidade da sua linhagem e simbolizar a vitória da vida sobre a morte. Com o passar do tempo, o ovo tornou-se símbolo da primavera, do renascimento da vegetação e também do “Novo Ano” para algumas tradições religiosas, mas sem referência à sua antiga origem. A reverência pelo ovo é justificada pela sua forma e pelo seu mistério, sua forma elíptica descrevendo o movimento de todos os corpos celestes e a esfera de luz que envolve as coisas vivas; é na forma ovoide que a potência do espirito se manifesta na matéria.. A gema do ovo representa a energia solar, o princípio masculino, enquanto a clara é a Lua e o eterno e sagrado feminino.
Detentor do potencial da energia criativa da vida, o ovo foi usado de forma mágica por vários povos, bem como nas práticas europeias e africanas de exorcismo e cura. Os sacerdotes druidas Ovates, vestidos com túnicas verdes (a cor da vida) trabalhavam em círculos mágicos. Nos festivais de primavera dos povos nórdicos e celtas, os ovos eram oferendas tradicionais para as deusas Eostre e Ostara, assim como nos rituais do Oriente próximo para Astarte e Ishtar. Os antigos zoroastrianos (adeptos de uma religião monoteísta fundada na antiga Pérsia pelo profeta Zaratustra, a quem os gregos chamavam de Zoroastro) pintavam ovos para sua celebração do Ano Novo –Nawrooz- que coincidia com o equinócio da primavera. Tingidos de vermelhos, eram enterrados no solo para fertilizá-lo; oferecidos às mulheres tinham como objetivo aumentar a sua fertilidade, presenteados às crianças visavam ativar seu crescimento.
Os cristãos consideram o ovo um símbolo da ressureição, enquanto dormente ele contém a nova vida dentro de si. Nas igrejas Ortodoxas e Greco-Católicas os ovos são pintados de vermelho na Páscoa para representar o sangue de Jesus vertido na cruz. A casca do ovo simboliza a tumba fechada, cuja abertura representa a sua ressureição da morte. Os ovos da Páscoa são bentos pelos padres no fim da Vigília Pascoal (sábado de Aleluia) e distribuídos aos fieis. As famílias trazem cestas com ovos tingidos e comidas típicas (roscas, pães trançados, bolos) que também são abençoadas. Na segunda ou terça feira depois da Páscoa, ovos abençoados são levados aos cemitérios e ofertados aos mortos com o cumprimento tradicional “Cristo ressuscitou”. Existe uma lenda no leste europeu, que afirma que Maria Madalena teria trazido ovos cozidos para partilhar com as mulheres na tumba de Jesus e que eles se tornaram milagrosamente brilhantes quando ela teve a visão do Jesus ressuscitado. Outra lenda conta que, depois da Ascensão, Madalena teria ido para o imperador de Roma cumprimentando-o com a saudação “Cristo ressuscitou”, mas ele retrucou que isso era tão irreal, quanto um ovo sobre a mesa dele fosse vermelho. Assim que acabou de dizer isso, o ovo imediatamente se tornou vermelho.
No folclore de vários povos europeus existem crenças ligadas ao ovo, considerados símbolos de fertilidade, humana ou animal. Até o século 17 na França, a noiva devia quebrar um ovo na soleira da sua casa, para assegurar sua fecundidade. Os antigos eslavos e alemães untavam seus arados antes da Páscoa com uma mistura de ovos, farinha, vinho e pão, para atrair assim abundância para as colheitas. Na Inglaterra antiga, crianças percorriam as casas no Domingo de Ramos pedindo ovos; recusar este pedido era um mau presságio para os moradores. Usavam-se ovos também nas oferendas para os mortos, colocados juntos deles no caixão ou sobre os túmulos. Os judeus da Galícia consumiam ovos cozidos ao retornarem dos enterros, para retirar as energias negativas. Na “Noite de Walpurgis” (30 de abril), o Sabbat saxão celebrado nas montanhas Harz da Alemanha (consideradas local de reunião das bruxas), os casais enfeitados com guirlandas de flores dançavam ao redor de uma árvore decorada com folhagens, fitas e ovos tingidos de vermelho e amarelo. Um tipo especial de divinação com ovos – chamada de ovomancía – era praticada pelas mulheres europeias nos Sabbats Samhain, Yule ou Litha, deixando cair a clara em um copo com água e fazendo vaticínios pelas formas criadas.
Os desenhos tradicionais pintados nos ovos reproduzem o movimento da energia em forma de círculos (o ciclo eterno da vida), ondas (água), pontinhos (estrelas), escadas (os planos da existência), cruzes (a união do masculino com o feminino, da matéria com o espirito), linhas, estrelas, nós, triângulos (a deusa tríplice), quadrados (a terra), rodas, espirais (proteção), flores, trevos, árvores. Eles serviam como pontos de fixação para atrair energias de renovação, saúde, prosperidade e proteção. Na Ucrânia e nos países dos Bálcãs, a arte de pintar ovos (chamados pessankas ou pysanka) é muito antiga, reservada às mulheres e preservada até hoje. Os ucranianos – que foram cristianizados apenas no ano 988 – ainda preservam seus antigos costumes e o simbolismo pagão das pessanki. Na Romênia, antigamente os ovos eram tingidos com infusões vegetais – cascas de cebolas, beterraba, salsa – (atualmente usam-se tintas) e pintados com formas geométricas estilizadas, simbolizando riqueza, fertilidade, amor, vida longa, proteção, e felicidade. Quando feitos de madeira eram decorados de maneira mais rebuscada, com aplicações de contas minúsculas e coloridas. Na Romênia, Rússia e Grécia ovos cozidos ou esvaziados do seu conteúdo são até hoje decorados com motivos tradicionais, dados de presente ou usados em competições no domingo da Páscoa. Ganhava aquele que conseguia quebrar os ovos dos concorrentes batendo de leve neles, mas desde que não rachasse o seu. Joias em forma de ovos, feitas para a Corte Imperial russa pelo famoso artista Fabergé, eram cravejadas de pedras preciosas ou continham dentro de si anéis e miniaturas como pássaros, relógios, barcos ou casas. Ainda se encontram este tipo de ovos-miniaturas, usados como enfeites ou nos altares das mulheres que seguem a Tradição da Deusa e que os usam como cofres mágicos para guardar e “chocar” seus desejos e pedidos, neles colocados na comemoração do Equinócio Vernal.

 

Por: Mirella Faur – https://www.facebook.com/mirella.faur

ERA DE SATURNO COMEÇA NO DIA 20; ENTENDA MUDANÇAS QUE VIRÃO NOS PRÓXIMOS 36 ANOS!

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Neste dia 20 de março, saímos da Era Solar, em que o Universo foi regido pelo Sol por 36 anos, e entramos no ciclo de Saturno, onde estaremos pelos próximos 36 anos. Seremos obrigados a deixar cair as máscaras e isso pode não ser muito fácil, especialmente para os nascidos entre 20 de março de 1981 e 19 de março de 2017. Eles são filhos do Sol e devem aprender as qualidades desse luminar. A sociedade ensinou-os a viver nas sombras e agora devem encontrar a si mesmos, compreender quem realmente são em profundidade.

Até o dia 19 de março de 2017, vivemos o narcisismo da Era Solar, que nos trouxe alguns males. Veja a seguir.

Imagem acima de tudo: silicone, bumbum durinho, barriga negativa
Como indivíduos, tivemos um investimento excessivo na imagem. O narcisismo empurra as pessoas a preocupar-se mais com a imagem do que com os seus próprios sentimentos. Agindo “sem sentimentos”, tornamo-nos sedutores e manipuladores, para obtermos poder e controle. Nos tornamos egocêntricos, voltados para os próprios interesses, mas carentes de valores emocionais verdadeiros. Sem um sentido mais profundo de “si mesmo”, vivemos a vida de maneira vazia.

Na necessidade de sermos perfeitos, mas na aparência, vamos nos aperfeiçoando detalhadamente: no corpo, com as plásticas, silicones, preenchimentos, tratamentos a laser e no sexo perfeito, automatizado, distante das emoções. Robôs autômatos e guiados pelos desmandos sociais.

Sociedade dividida: homem x mulher, esquerda x direita e por aí vai…

Como sociedade, podemos entender o narcisismo como uma perda de valores humanos: ausência de interesse pelo meio ambiente, pela qualidade de vida, pelos semelhantes. Uma sociedade que sacrifica o meio ambiente em nome do lucro e do poder e mostra total isenção de sensibilidade humana.

O mundo material ocupa lugar superior à sabedoria, à experiência humana. O sucesso é mais importante que o respeito a si mesmo e à dignidade. Vivemos na superficialidade e, nesse movimento, vamos nos dividindo entre o que somos realmente e nosso sucesso pessoal e social. Dessa maneira, nossa frustração, ansiedade e sentimento de vazio só crescem.

Temos que ser eficientes em tudo

Com uma vida cada vez mais vazia, nos distanciamos mais de nossa humanidade. O objetivo principal é a eficiência. É necessário e quase vital sermos eficientes em tudo. Ser humano incorre em erros, falhas, faltas. Mas caminhamos distantes da ternura, da compaixão, da verdadeira solidariedade.

E quanto mais forte e eficiente for sua imagem, maior o reconhecimento. Quanto maior seu status social, mais intenso o aplauso. E o que determina esse reconhecimento? O poder que você conquista, seja pela sua beleza, capacidade de não envelhecer, ter uma boa colocação, trabalhar em uma empresa de porte e sucesso.

Dever de ser feliz e realizado

Esse é outro mal que a Era Solar nos trouxe, escondido em sua sombra: a felicidade como dever. E os laboratórios enriquecem cada vez mais exatamente por isso. Perdemos o fio, nos perdemos nas imagens adequadas para alcançarmos objetivos que, na maioria das vezes não são nossos.

Máscaras irreais

Criamos uma máscara social que se mistura à pessoal, até que começamos a sufocar. E quando isso acontece, pode ser tarde demais para retirá-la.

A Era Solar foi construída sobre bases frágeis, pois há um grau enorme de irrealidade nela e em todos nós, que nos deixamos levar pelos seus enganos. As bases sociais narcisistas devem cair por terra e junto com ela, toda irrealidade individual, coletiva e social. A irrealidade é neurótica, mas também esbarra na psicose. Existe muito de loucura nesta sociedade que criamos e vivemos e, nós mesmos, não estamos dando conta dela.

E agora? É hora de o Universo colocar ordem na casa

Neste final de ciclo que vivemos agora, precisamos refletir sobre o que nos levou a criar algo tão irreal em termos de sociedade e compreender as causas culturais e pessoais que nos levaram a isso. O que aconteceu conosco, para um distanciamento tão intenso de nossas emoções e sentimentos? Para um distanciamento tão severo de nós mesmos?

Saturno traz regras e é exigente

Saturno é um deus conservador, que preza pelo cumprimento das leis, normas e regras.

Creio que tudo o que for muito polar ao ciclo que passou, não resiste muito tempo, pois devemos todos ressignificarmos valores antigos e não ressuscitá-los, pois o processo evolutivo da humanidade caminha para a frente. Uma séria ressignificação de valores, inexistentes nas últimas décadas, será necessária. Mas nunca a retomada dos antigos, pois não fariam mais sentido, depois de tantas conquistas.

O símbolo de Saturno é uma caveira com uma foice nas mãos, o que significa que, assim que ele começa a derramar suas energias sobre nós, haverá uma tendência a ceifar tudo o que não serve mais para o nosso processo evolutivo. A maneira que isso vai acontecer, não tem como prever, pois pode ser através de pequenas ações pontuais ou algo que envolva uma grande parte da sociedade ou ela toda.

Em um segundo momento, nos adaptamos à sua força e exigência e começamos a buscar por alguma ordem dentro de nós mesmos. Os processos emocionais se tornam mais profundos e todos os que evitaram o contato consigo mesmos podem sofrer mais nessa transição.

Saturno não é só disciplina, mas também expansão da consciência

Saturno é conhecido como o Senhor do Carma, isso porque ele simboliza um processo psíquico mais profundo, que brota com algum tipo de experiência, interior e/ou exterior. Saturno não simboliza apenas os limites, a dor, as exigências, a disciplina, os obstáculos, mas como processo psíquico, está atrelado à ampliação ou expansão da consciência de todos nós como indivíduos e como humanidade.

Nossa psique caminha na direção à unidade, ao verdadeiro ser. E tudo o que tem impedido essa expansão de consciência acontecer será ceifado, dentro e fora de nós. Enquanto ignoramos nossos processos psíquicos, nossas necessidades mais profundas na direção de nós mesmos, o carma acontece. Saturno é o nó que precisamos desatar, para dar o passo à frente, para compreendermos de maneira aprofundada quem somos, verdadeiramente.

Temos à nossa frente, 36 anos, que devem ser vivenciados com a maior consciência possível, com responsabilidade por nossos pensamentos, palavras e ações e, dessa maneira, crescermos todos juntos, como humanidade.

É muito importante lembrarmos que as circunstâncias exteriores de nossas vidas são, na verdade, mudanças psíquicas interiores por que passamos e sofremos. A psique, como um todo, é uma energia dinâmica, que está por trás de todo acontecimento para o nosso desenvolvimento e crescimento.

Quando passamos por nossos processos psíquicos, de alguma maneira, seja através de uma psicoterapia profunda, da meditação disciplinada ou alguma outra forma que nos empurre para nós mesmos, precisamos estar plenamente conscientes deles. Caso contrário, nos tornamos marionetes nas mãos do destino, Carma, ou seja qual for o nome que você queira dar para esse processo.

A consciência é nosso melhor caminho. Mas não uma consciência superficial. É necessário o aprofundamento emocional, para chegarmos no que existe de mais profundo em nós. Somente através da descortinação do véu que encobre nossa identidade poderemos viver a transformação necessária, que este próximo ciclo de Saturno exigirá de todos nós.

É hora de arregaçarmos nossas mangas e trabalharmos duro na direção do crescimento e evolução de todos nós, com indivíduos e como humanidade.

 

Por Eunice Ferrari, astróloga e psicoterapeuta

 

EQUINÓCIO DE OUTONO – O NOVO ANO ASTROLÓGICO

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Todo ano, quando o Sol ingressa no Signo de Áries, começa um novo ano astrológico. Na natureza, acontece um equinócio e uma nova estação tem início. Quando o equinócio de março acontece, aparentemente o Sol cruza a linha do equador para o norte e, por isso, no hemisfério norte começa a primavera. Para nós, no hemisfério sul, começa o outono.

A partir desta data, o Sol inicia uma nova volta no zodíaco e temos o início do ano novo astrológico. Este novo ano astral começa com Sol conjunto à Marte e Urano que também estão em Áries. Isso sugere um ano de ação e novidade. Pede mais iniciativa e novas atitudes. Mudanças precisam acontecer.

Mercúrio, Vênus e Netuno estão em Peixes no momento do começo desse novo ciclo, pedindo que sonho, imaginação, intuição e sentimento estejam presentes, guiando nossos passos e norteando nossas escolhas.

Por falar em norte, o nodo que indica o caminho a ser seguido está em Escorpião, preparando um encontro com Saturno, que está no signo das profundezas trazendo nossas sombras para a Luz da aceitação.

A Lua em Câncer no início do ano astrológico reforça a necessidade de mantermos o sentimento sempre presente, respeitando o próximo, cuidando com mais carinho de tudo e de todos que nos são importantes. Isso também inclui nosso planeta.

Ainda este ano, Júpiter ingressa em Câncer (no segundo semestre) formando um triângulo de água: Júpiter em Câncer, Saturno em Escorpião e Netuno em Peixes. As águas do mundo pedem atenção.

Mas voltando ao início do ano, podemos sentir intensificar algo que já está acontecendo. Estamos notando que está tudo caminhando para seus extremos, para os pólos. O que está funcionando está ganhando estrutura e resultados. Estamos assistindo grande quantidade de pessoas se encontrando, seguindo seu verdadeiro caminho. Por outro lado, estamos vendo muita coisa desabar. As falsas verdades e as estruturas sem base estão desmoronando, porque neste momento apenas fica o que é de verdade.

O ano novo astrológico começa oferecendo uma dose extra de energia e coragem para transformarmos aquilo que for necessário. Mas é preciso lutar, fazer um esforço, porque nada cai assim do céu. Mas, com certeza, se agirmos certo teremos bons resultados.

Vale lembrar que Saturno é o regente do ano e que ele está em Escorpião e, no mapa de ingresso, retrógrado, nos levando para o mais profundo de nós mesmos e de nossas vidas. Estamos vivendo uma espécie de “auditoria”, individual e coletivamente. Estamos sendo obrigados a encarar nossos maiores medos e enxergar todas as nossas sombras. Como se ele apontasse sua lanterna para aqueles nossos cantos mais escuros, que precisam de limpeza e transformação.

Mas também estamos resgatando nossos tesouros e conseguindo enxergar nossos recursos para superar o que for preciso e conquistar o que mais desejamos. Porque Saturno dá trabalho, mas recompensa. Saturno oferece resultados na medida de nossos esforços, porque apesar de desafiador, é muito justo.

Saturno também nos ensina que existe um tempo para cada coisa e que temos que respeitar não apenas esse tempo, mas todos os limites que nos são impostos, sejam nossos, dos outros, da vida.

Este também é um ano que permitirá a transformação de sonhos em realidade. Mas para isso é preciso estar sintonizado com a alma, com a essência. É preciso limpar nossos porões, jogar fora nossos lixos. Ou melhor, reciclá-los, transformá-los. E, porque não, é preciso transformarmos a nós mesmos, porque se queremos um mundo melhor, temos que melhorar o que somos, temos que nos transformar em quem somos de verdade, sem máscaras.

Esse é o ano da justiça, da verdade, da coragem e da superação. É verdade que pode também ser um ano de perdas, de transformações e desafios. Mas certamente é um ano de grandes acontecimentos, com possibilidades infinitas de conquistas para quem tiver a coragem de viver a vida por inteiro, com verdade e profundidade.

Feliz ano novo!!

Por: Titi Vidal