Ministério da Saúde deveria advertir: blogueiras fazem mal à saúde

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Um dia acordei, abri minhas redes sociais e deixei de seguir um balde de blogueiras. Blogueira de moda, fitness, do make perfeito, da bunda na nuca, do suco de luz, do quadradinho de oito, do cabelo lavado com vinagre, da comida ostentação, da volta ao mundo dormindo no sofá dos outros.

Nada contra os blogs e muito menos contra as blogueiras, mas a vida de sonho e de perfeição que eles vendem não cabe no dia a dia e muito menos no bolso da maioria das pessoas. E o que deveria ser apenas uma fonte de inspiração, acaba se transformando numa cobrança sem fim.

Você acorda e descobre que a blogueira-musa-fitness já acordou há horas, já lambeu o namorado, o cachorro, comeu tapioca com clara de ovo, malhou no calçadão, fez uma aula de bike, fez slackline, tomou banho, comeu batata doce, tomou três litros de suco de couve e agora está pronta pra abrir todos os jabás que recebe.

E você lá, ainda com a cara amassada de travesseiro e com remela nos olhos, pensando que precisa ir ao supermercado porque acabou desinfetante e hoje é dia de faxineira. Depois tem dentista, precisa resolver o imposto de renda, responder emails, trabalhar, passar na lavanderia, recarregar o bilhete único e dar conta de um vida cheia de boletos pra pagar.

Nesse meio tempo, você entra no Instagram e a blogueira-musa-fashion postou uma foto às 8h da manhã em que parece saída de um editorial de moda. Mas ela só foi comer um brunch, num restaurante lindo, onde as roupas dos garçons combinam com os guardanapos e as toalhas de mesa. Tudo tem legenda, claro. E assim que você joga no Google o nome daquela bolsa super fofa que a moça usou para ir ali na esquina, descobre que só a bolsa super fofa custa R$ 35 mil.

Nessa hora, você ignora o cabelo de comercial da blogueira, arruma o seu numa chuca e tenta se concentrar em mais um frila para pagar mais um boleto. Enquanto espera o café sair da máquina, dá uma voltinha nas redes sociais. A blogueira de viagem faz a maior cara feia ao experimentar a comida de um lugar exótico. E nessa hora você morre de raiva e pensa que Deus dá, sim, asa à cobra.

Só no dia anterior, a blogueira-musa-digital-influencer almoçou no Laguiole, visitou uma exposição, viu o pôr-do-sol no rooftop do Fasano, tomando Spritz, jantou no Lasai e emendou uma festinha no Clubhouse Rio. Ufa. E você vendo tudo isso e distribuindo likes na fila do quilo.

O dia dessas pessoas consiste em ir ao cabeleireiro, ao massagista, ao acupunturista, provar roupas, tirar fotos pra revista, gravar Snaps, desfilar todos os dias um tênis novo, uma bolsa cara, um vestido must have, comer em restaurante-ostentação, viajar first class, frequentar festas badaladas, hospedar-se em lugares que você jamais passará nem na porta, filosofar sobre a vida, distribuir dicas de autoajuda e ainda dar uma choramingada para mostrar como a vida é dura, mas é mara.

O dia dessas pessoas tem de sobra duas coisas que para a maioria de nós é contado: tempo e dinheiro. É claro que há blogs com conteúdo, cheios de informação relevante, que de fato podem fazer alguma diferença no nosso dia a dia.

Não é o caso de muitos que só servem para nos mostrar um monte de coisas que não precisamos e que não temos dinheiro pra comprar, ou um estilo de vida totalmente incompatível com nossa realidade. Em alguns casos parecem mais satisfazer a vaidade pessoal de suas blogueiras do que levar algum benefício às pessoas que os acompanham.

Parei de seguir e não senti a menor falta. Cheguei à conclusão que dá pra trocar várias blogueiras por linhaça e ter uma vida mais saudável emocionalmente.

Por: Mariliz Pereira Jorge – Jornalista e Roteirista.

Via: http://m.folha.uol.com.br/colunas/marilizpereirajorge

 

 

9 coisas a ponderar sobre “não resolver os problemas dos outros”

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O sentimento de satisfação que temos ao ajudar o outro é realmente muito gratificante.

Nos sentimos em paz conosco mesmos e o sorriso das pessoas ao nosso redor cria uma nuvem de positividade da qual nunca queremos nos afastar.

No entanto, viver nos pede olhos otimistas para reconhecer as pequenas belezas do dia a dia bem como força para enfrentar as dificuldades.

É por isso que tentar resolver os problemas dos outros pode causar muitos transtornos e ainda impedir o crescimento de quem você ama.

Vamos entender melhor o porquê?

1. As pessoas são diferentes.

Por isso, toda vez que você se pegar pensando “a vida desta pessoa seria muito melhor se…”, lembre-se de que essa é a vida dela e não a sua.

Por mais que você queira ajudar, a perspectiva dela sobre o mundo é diferente da sua e projetar expectativas sobre o outro não vai ajudá-lo nem um pouco.

2. Você não pode resolver o problema de pessoas que não querem ter seus problemas resolvidos.

Como assim? Simples: há pessoas que, literalmente, cultivam seus problemas e se apegam a eles de tal maneira que já não conseguem mais se ver sem aquele algo sobre o qual se lamentar.

Quanto a você… bem, você não pode mudar ninguém. A única coisa que você pode fazer é aceitar (que dói menos, como a sabedoria popular já diz) e amar essa pessoa do jeitinho que ela é.

3. Tentar “resgatar” alguém pode te afundar.

E a partir do momento que você afundar em problemas que não são seus, você os transforma em seus também. Você se envolve com tanta profundidade que passa a viver em função da vida do outro, esquecendo-se de si mesmo.

Resultado? Ninguém ajuda ninguém!

4. Potencial significa “poder”, não “querer”.

Não é porque você acha incrível a maneira como determinada pessoa se expressa que você vai tentar convencê-la de que está na profissão errada. Ou então que deveria fazer um intercâmbio. Ou que poderia abrir um novo negócio.

Não é porque ela é muito inteligente que você tem a “obrigação de amigo” de informá-la que ela simplesmente não pode cursar uma graduação tão simples ou abandonar o mestrado ou deixar a presidência de uma grande empresa. Mais uma vez: a vida não é sua. Portanto, não cuide dela!

5. Ajudar não significa resolver.

Você pode, sim, ajudar um amigo(a), companheiro(a) ou familiar com uma boa conversa, demonstrando como você é grato por sua companhia, convidando-o para almoçar e até dizendo o quão especial ele(a) é na sua vida.

O que você não pode é se sentir na obrigação de tomar as rédeas da vida da pessoa e organizá-la sozinho; mesmo que ela queira, mesmo que ela peça, mesmo que ela implore.

Com essa atitude você só vai desestimulá-la a acreditar no seu próprio potencial e vai torná-la dependente de você para sempre. Se é isso o que você deseja, procure um psicólogo – isso é carência!

6. Você não precisa que o outro seja feliz para ser feliz!

Parece simples, mas pode ser que o seu desespero para ajudar as pessoas seja reflexo do depósito de expectativas que você coloca sobre ela. Lembre-se: você não precisa que o outro seja feliz para ser feliz!

É claro que compartilhar alegrias é uma forma maravilhosa de viver nossas relações, mas como já sabemos, felicidade não vem de fora: ela parte de dentro de nós. Se a pessoa a quem você quer ajudar não consegue ser feliz, isso é um problema dela, não seu.

Por mais que te doa ler isso, respire fundo, olhe para dentro e simplesmente sorria sinceramente para si mesmo. Se você for capaz disso, será capaz de inspirar quem ama a ser feliz como você, e isso vale muito mais do que servir de muleta aos outros.

7. Cuidar de si mesmo ajuda mais do que você imagina!

E cuidar de si mesmo exige tempo e dedicação. Para dizer a verdade, até um pouquinho de egoísmo. Não adianta você varrer os seus próprios problemas para debaixo do tapete e correr na casa da comadre para lhe dar conselhos. Sua hipocrisia só vai fazer adoecer a você mesmo, ao seu amigo e à relação de vocês.

Seja sincero, encare suas dificuldades, olhe para o seu interior e, quando tudo estiver em harmonia (não necessariamente perfeito), a sua energia positiva será o suficiente para inspirar todos ao seu redor.

8. Problemas não são necessariamente coisas ruins.

Eles nos ajudam a crescer e a entender que a vida não é um mar de rosas, como minha avó já preconizava. É preciso ter o discernimento para perceber que “shit happens” (merdas acontecem) e que ninguém é obrigado a ser feliz o tempo inteiro (Wander Wildner já dizia).

A partir do momento que você entender isso, perceberá que as dificuldades precisam acontecer para que nós amadureçamos e aprendamos a desapegar: afinal de contas, ao contrário do que a nossa sociedade consumista prega, nada é para sempre.

9. Você não pode mudar as pessoas, apenas amá-las.

Você não é melhor do que ninguém, aceite isso. Consequentemente, não pode mudar as pessoas, nem resolver seus problemas, muito menos julgar o que é bom ou não para ela.

Se nos lembrarmos do ditado popular “cada macaco no seu galho”, podemos pensar apenas em dar uma passadinha no galho do colega para doar um pouquinho do nosso amor e voltar logo para o nosso próprio para não quebrar o de ninguém e acabar estrebuchado no chão!

Fonte: thoughtcatalog.com.