O PAPEL DE UM MESTRE XAMÃ

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No mundo ocidental, hoje, mais e mais ocidentais não-tribais estão buscando um professor de xamanismo e em resposta, um número crescente de professores xamânicos estão aparecendo na tela. Mas como podemos garantir que seremos atraídos para uma pessoa autêntica, um iniciado que vai nos “servir” bem?

No início de nossa conexão com as tradições da sabedoria antiga, alguns de nós decidem procurar os professores no mundo indígena, muitas vezes através da participação em grupos de viagens ou passeios em regiões remotas do mundo. Estes passeios são geralmente acompanhados ou liderados por um especialista reconhecido ou auto-proclamados, e essas experiências podem ser intensas, emocionantes e de mudança de vida. No entanto, nós freqüentemente descobrimos que só porque alguém parece ser um especialista nem sempre o é, o conhecimento pode ser bastante limitado e superficial. Além disso, essas experiências geralmente não possuem uma conexão permanente para facilitar o nosso treinamento xamânico e desenvolver habilidades xamânicas. Assim, continuamos a busca.

Alguns de nós procuram anciãos espirituais indígenas mais perto de casa, mas geralmente descobrimos que há muito poucos agora que sabem as antigas tradições e menos ainda que desejam compartilhar sua sabedoria espiritual com estranhos. Alguns de nós têm a sorte de encontrar uma pessoa idosa que tenha optado por compartilhar os seus conhecimentos a todos, independentemente de cultura, raça ou etnia.

Há um crescente número de buscadores espirituais que se tornam conscientes do caminho do xamã através da leitura das obras publicadas de indivíduos que têm “tempo gasto” com os povos indígenas. Alguns encontram seu caminho em relação com essas pessoas, que oferecem conhecimentos, bem como formação experiencial em seminários e workshops em institutos e centros de conferências.

Para os ocidentais, os workshops experienciais oferecem oportunidades de imersão intensa na cosmovisão do xamã e sua prática. Essas configurações estruturadas fornecem ferramentas e técnicas destinadas a trazer-nos uma ligação reforçada com ajudantes do nosso espírito, os professores do nosso espírito e nossos guias, a criação de uma fundação boa para a nossa própria prática. No mundo do xamã, sempre se fala que os Mestres encontram-se realmente, do outro lado. Somente os espíritos podem transmitir o ensino verdadeiro, bem como a iniciação à fé xamanista.

Assim, o trabalho do professor xamânico autêntico é o de facilitar essa conexão …

Uma vez que o aspirante xamânico tenha sido posto em relação com seus espíritos auxiliares, o papel do professor é essencialmente exterior. Mas também é verdade que muitos retornam do trabalho como um professor singular em oficinas de formação xamânica, a fim de aprofundar a sua prática em áreas específicas como o trabalho com os espíritos ancestrais, recuperação da alma e cura transpessoal, ou a explorar as realidades dimensionais dos mundos superiores.

Ao fazê-lo, os ocidentais descobrem que as metodologias antigas do xamã, desenvolvida através de dezenas de milênios por nossos ancestrais da idade da pedra, são direitos inalienáveis de todos os seres humanos em toda parte. Se retrocedermos o suficiente, somos todos descendentes de povos indígenas tribais, ocidentais e não ocidentais iguais, e todos eles tinham grandes xamãs.

Isto significa que não é necessário que você seja um Zulu ou da Sibéria, um americano ou maia, nativo havaiano para praticar o xamanismo. A prática, o método é essencialmente o mesmo em todo o mundo. Ela pertence a todos.

Estas são algumas reflexões sobre a natureza do professor xamânico autêntico, permitindo-nos a partilhar algumas idéias, para quem está procurando um professor de xamanismo, bem como aqueles que se sentem atraídos para tornarem-se xamanistas.

Ao fazê-lo, estamos falando de mais de 27 anos de aprendizado nessa tradição intemporal, um período durante o qual temos estudado com vários Mestres no mundo exterior, tanto ocidentais e indígenas, bem como com os nossos “Maestros” no interior do espírito.

No entanto, a grande questão ainda se esconde nas sombras para nossa consideração: como você sabe quando um professor xamânico é autêntico? Como você sabe se este autor famoso ou aquela pessoa conhecida ou o indivíduo desconhecido foi autenticamente iniciado? Isso é muito importante pois se há uma coisa que os buscadores espirituais da comunidade de transformação estão procurando, é autenticidade, e aqui, a partir de nossa experiência, segue alguns pontos que vocês devem considerar.

A primeira coisa que procuramos em um líder espiritual é a humildade.

Se alguém se levanta na frente de um grupo e anuncia que é um xamã, devemos ficar com os dois pés atrás. Nenhum xamã verdadeiro reivindica este título, ele é reconhecido pela comunidade com tal. Todos os xamãs sabem que os Poderes a que têm acesso são empréstimo dos espíritos. Eles também sabem que quando um deles se torna orgulhoso, proclamando-se a este ou aquele, esta é a maneira mais rápida de perder a conexão com o Poder. Assim, todos os xamãs verdadeiros tendem a ser pessoas muito humildes. Às vezes eles usam o termo xamanista, que está alinhado com humildade.

A segunda qualidade que assistimos é a reverência.

Neste caso, a reverência se refere a uma relação ativa que se estende a tudo e a todos, independentemente de quem e quais são elas. Se você está em um grupo com um professor que é autocrático, exigente, condenando, poderá reconsiderar o seu compromisso com aquele mestre. Se você está em um grupo de viagem, onde o líder trata os moradores com desrespeito, este não é um sinal favorável.

A terceira qualidade que assistimos é a auto-disciplina.

Se você encontrou-se com um líder espiritual que é arrogante, que se expressa através da proclamação e pontificação, ou se tiver encontrado sozinho na presença de alguém que o seduz com histórias maravilhosas, que podem ou não ser verdade, você deve estrar provavelmente no lugar errado. Se ouvir que um professor conhecido viola os limites dos alunos, especificamente o sexual, o melhor a fazer é procurar uma pessoa mais digna, de confiança, para ajudar a facilitar o seu crescimento espiritual.

Quando percorremos o caminho xamânico de revelação direta, nos engajamos em uma prática espiritual que nos foi revelada por um sábio kahuna que disse: “Devemos amar tudo o que vemos com humildade, viver tudo o que sentimos com reverência, e saber a usar todo o conhecimento que possuímos com disciplina, honra e sabedoria”.

“Aqueles que buscam um xamã quando o encontram, não devem esperar movimentos mágicos.
A sua Arte é a de provocar seus demônios que tão bem escondes.
Se buscas um xamã, prepare-se para o seu silêncio.
Mantenha-se alerta quando ele mostrar toda sua sinceridade.
Mas tenha a certeza de que ele irá prepará-lo para a sua pior batalha: o encontro consigo mesmo.”

Hank Wesselman

Escritor, Antropólogo Paleontologista e Xamanista

http://www.xamanismo.com

A VONTADE DO CÉU

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Não basta conhecer os métodos que permitem que se tornem clarividentes, magos, alquimistas e etc. Deve-se questionar primeiro sobre o objetivo com o qual se trabalha, e saber que existem leis a serem respeitadas…

Quem pratica os métodos do Ocultismo apenas para o próprio interesse, infringe as leis da harmonia cósmica e, no final, será o próprio cosmos que colocará um veto, e ele fracassará lamentavelmente.
Muitos ocultistas ou pretensos espiritualistas, que trabalhavam para alcançarem determinadas realizações, sem se preocuparem em saber se trabalhavam em harmonia com os projetos da Inteligência cósmica, acabaram muito mal.
As obras sobre ciências ocultas propõem um grande número de técnicas, de ritos, dos quais muitos trazem riscos.
Mas nenhuma dessas práticas vale tanto quanto aquela de se colocar em harmonia com a ordem cósmica.
E as coisas vão mais além: para aquele que não se preocupa em conservar a harmonia e se deixa subjugar pelas próprias tendências anárquicas, até as práticas mais inofensivas se tornam perigosas e se voltam contra ele.(…)
Em que coisa os seres humanos se empenham todos os dias?
Em satisfazer os seus desejos e realizar as suas ambições.
Eles nunca se perguntaram sobre a natureza de todos esses cálculos, desses planos e desses arranjos?
Nunca pensaram em perguntar ao Céu: ´Oh, espíritos luminosos, estamos de acordo com os seus projetos?
Qual é a opinião de vocês?
Quais intenções vocês têm em relação a nós?
Onde e como devemos trabalhar para realizar a sua vontade?´.
Pouquíssimas pessoas se colocam essas perguntas. Porém, nada é mais importante para o homem do que suplicar às entidades invisíveis para que lhe dêem, finalmente, a possibilidade de realizar os projetos do Céu.
Nesse momento toda a sua vida muda, e ele pára de agir segundo os seus caprichos, as suas fraquezas, a sua cegueira.
Esforçando-se para conhecer a vontade do Céu, ele se coloca em outros trilhos, segue um rumo que corresponde aos projetos de Deus, e essa é a verdadeira vida!”


Por: Omraam Mikhaël Aïvanhov

Via: Gena Teresa – https://www.facebook.com/gena.teresa.3

OGUM – O SENHOR DOS CAMINHOS

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Ogum é o Senhor dos caminhos e realiza a abertura de caminhos, a ordenação, o afastamento da desordem e do caos, o corte das atuações negativas, mas tudo a partir do equilíbrio íntimo dos seres perante a Lei Divina. A primeira “batalha” que Pai Ogum nos ensina a realizar é vencer os vícios e a desordem interna para que, uma vez equilibrados, possamos atrair situações e relacionamentos ordenados, livres da desordem que nasce do desrespeito à Lei Maior e à Justiça Divina.

Lei e Justiça são interligadas, não se pode obter o amparo da Justiça Divina sem viver em obediência às Leis da Criação. O dragão subjugado por São Jorge e por São Miguel Arcanjo, que sincretizam com Ogum, representa exatamente o trabalho pela vitória sobre as nossas trevas interiores. O dragão é o símbolo da maldade, dos vícios, das negatividades, do ego exacerbado, da vaidade extrema, da ganância etc. Vencendo “o dragão”, sob o amparo de Ogum, nos habilitamos a atrair situações favoráveis, sob o amparo da Lei. Porque a Lei atua sem cessar, irradiando-se para toda a Criação. Sintonizados com a Lei, alcançamos o amparo da Lei e da Justiça do Criador. Então, os inimigos terão olhos, mãos, pés e armas, mas não conseguirão nos enxergar, não poderão nos tocar e nem nos alcançar ou ferir, como diz um ponto cantado.

Seu primeiro elemento de atuação é o Ar e o 2º. Elemento é o Fogo.

Na Linha pura da Lei Ogum faz par com Yansã, ambos atuando pelo elemento Ar.

Também faz par com Egunitá, a Mãe do Fogo e da Justiça, aqui formando com Ela uma Linha polarizada ou mista Lei/Justiça, pelos elementos Ar/Fogo.

Nos elementos, Ogum é o ar que refresca e a brisa que acalenta.

Na Lei, Ogum é o princípio ordenador inquebrantável.

Na Criação Divina, Ogum é a defesa de tudo o que foi criado, é a defesa da vida.

Na Irradiação da Lei, Ogum é passivo, pois seu magnetismo irradia-se em ondas retas, em corrente contínua, e seu núcleo magnético gira para a direita (sentido horário).

Seu Fator Ordenador nos ajuda a vencer nossas trevas e bloqueios interiores (as verdadeiras demandas) e nos protege dos obstáculos externos, quando vivemos de acordo com os ditames da Lei Divina.

Ogum é a Lei, é a via reta. É associado a Marte e ao número 7.

Na Bahia Ogum sincretiza com Santo Antonio de Pádua. Nos demais Estados, em geral é sincretizado com São Jorge e celebrado em 23 de abril.

A respeito do sincretismo de Ogum com São Jorge, FERNANDO FERNANDES, no excelente artigo “Astrologia e Mitos Religiosos”, comenta: “O simbolismo, aliás, não poderia ser mais adequado: São Jorge veste uma armadura de guerra (a proteção necessária para atuar em ambientes inferiores) e monta um cavalo branco (as forças da matéria e o lado animal da personalidade, já purificados – por isso a cor branca – e colocados a serviço de desígnios elevados). Utiliza a lança e a espada (um símbolo do direcionamento da energia) e consegue vencer o dragão (as forças das trevas).”

Em seguida, o referido autor fala sobre características de Ogum na Umbanda e no Candomblé e sua associação ao planeta Marte: ”A espada está ligada ao Orixá de três formas: por ser guerreiro e caçador, Ogum rege as armas em geral; por ser ferreiro, é fabricante de objetos de metal; e, finalmente, é o orixá regente do ferro, matéria-prima para a maioria das armas. Como símbolo, a espada representa a energia mobilizada e direcionada para cortar o avanço do mal. Basta lembrar outra lenda, criada num ambiente bem diferente do que estamos tratando: a história céltica do Rei Artur que, munido da espada mágica Excalibur e sob a orientação de um iniciado, o Mago Merlin, combate as forças malignas acionadas por temíveis feiticeiros. Excalibur é o instrumento do combate da magia branca contra a magia negra. A espada de Ogum tem o mesmo significado.

Cabe observar também que o ferro é o elemento químico essencial para a formação dos glóbulos vermelhos. Da mesma forma como sua carência torna o indivíduo anêmico, a carência da raiz energética de Ogum cria uma espécie de anemia espiritual, ou seja, uma falta de coragem e de disposição para lutar pelo próprio desenvolvimento. É por causa dessa função revitalizadora que Ogum é apresentado nos mitos africanos como o orixá que vem na frente, o pioneiro na tarefa de descer à Terra e acordar os homens. Trata-se, evidentemente, de uma função típica de Áries e Marte.

(…) Ogum muitas vezes é invocado como se fosse uma espécie de guarda-costas celeste, um orixá que, se devidamente agradado, tomará partido em favor do filho de fé e voltará sua fúria contra os inimigos. (…) As concepções mais elaboradas, entretanto, não vêem o orixá como um ser a serviço dos interesses do homem, nem disposto a tomar partido em seus conflitos.

Em essência, as lutas de Ogum processam-se dentro da própria alma, que traz simultaneamente o dragão e a serpente das tendências inferiores assim como o germe da Divindade. Invocar Ogum significa ativar as energias vitais que estão adormecidas na alma, despertar a parcela divina presente em cada ser humano e mobilizar a força necessária para avançar.”

Em seguida, ele comenta o ponto cantado que diz: “Cavaleiro supremo/mora dentro da lua /Sua bandeira divina/ é o manto da Virgem pura”, acrescentando: “A lenda de São Jorge, que não tem qualquer origem no culto dos orixás, mas sim no Cristianismo Popular, atribui-lhe o domínio da Lua, onde ele estaria em permanente combate com o dragão. É interessante notar que o símbolo da Lua, do ponto de vista astrológico, não é o desenho da Lua Cheia, mas do Crescente, que é formado por dois semi-círculos. Enquanto o círculo – o Sol – representa o espírito enquanto instância permanente e perfeita, o semicírculo é a alma, ou seja, o espírito ainda submetido às experiências da evolução, aprisionado nas sombras da própria ignorância e no vendaval das paixões ainda não dominadas. A Lua não tem brilho próprio, apenas refletindo a luz do Sol. Da mesma forma, para tomar de empréstimo uma concepção do pensamento hinduísta, a alma que perambula nas experiências de aprendizagem expressa apenas um reflexo provisório de sua verdadeira identidade, que só brilhará de forma pura quando o espírito transcender o ciclo das reencarnações e alcançar os planos mais elevados da absoluta ausência de forma, no mental superior.

Ogunhê meu Pai!