A VOZ DO ÚTERO

1364

A voz do útero é a voz do amor. Ele contorce-se porque ainda estamos amarradas e aprisionadas. O feminismo abriu caminho às avessas e usamos a força do masculino adoecido o tempo todo: a dureza, a negação da emoção, do afeto, a luta pelo poder, o fechar dos nossos corações. O mesmo sofrimento impingido, passamos a impingir. Esse é o grande equívoco do movimento feminista. A luta pela igualdade foi e é necessária. Foi e ainda é um movimento importante de conscientização para que nós, mulheres, possamos ganhar autonomia interna, independência, maturidade e saiamos da condição de criança carente, da vitimização, do parasitismo. Mas, tudo isso, precisa ser banhado pela consciência amorosa para connosco mesmas. Sem essa consciência não há transformação possível. Abertura para amar, deixar a voz do coração falar. Quando há muito medo não há amor. E essa para mim é toda a dor do feminino. Porém, o momento é de retorno às nossas essências, e é por isso que as mulheres estão tão cansadas, pois elas precisam da sua força essencial, do seu amor de volta! As mulheres confusas e por isso cindidas (entre a santa e a puta) não reconhecem a supremacia do amor que brota do seu ser. E esta é a sua finalidade última. É a função da sua essência. Sinto que há um aprisionamento deste útero que quer amar e não sabe porque a mulher se aprisiona na sua própria dor, não vê saídas, não vê perspectivas, vê-se algemada o tempo todo. Será que não está na hora de olharmos para este corpo de dor e fazer um ritual de despedida? De limpeza, de cura? Não conseguimos ser inteiras porque o corpo de dor vive nos remetendo a essas injustiças que recebemos, tal qual uma criança carente, que não aceita mas também não se mexe, só reclama e continua a submeter-se. Amar é essencialmente a nossa função. Não é sermos boazinhas é sermos boas. Não é sermos passivas, é sermos conscientes dos nossos movimentos e quando devemos fazê-los. É termos voz. É alcançarmos a SABEDORIA perdida por entre vários opiniões, teorias e etc… É reconhecermos e apropriarmo-nos inteiramente do nosso poder. Já está na hora da força se expandir, não lutando mas amando. O feminino quer lembrar à mulher como é amar e devemos amar-nos para podermos curar o que nos cerca de ignorância e temor, dentro e fora de nós. Consciência sim, da nossa história antropológica e da nossa força espiritual pois precisamos nos libertar emocionalmente e mentalmente para sermos verdadeiramente LIVRES. Precisamos SER ESTA MULHER, que deixa a voz do útero falar. Uma coisa é ter consciência das nossas dores, outra coisa é tê-las como “armas” de proteção ou mesmo no uso de vinganças veladas ou não. Embora todas as pressões que ainda sentimos e vivemos, devemos seguir sem medo a mensagem da rosa, a essência do feminino em sua leveza, pureza, aroma, beleza, no amor que espalha e nos seus espinhos que revelam que ela não é frágil e nem tampouco desprotegida. É consciente de sua força, beleza, sabedoria e dignidade!

Texto adaptado de Rosa Barros

O DESPERTAR DA MULHER ANCESTRAL

1363

Como diz a Sabedoria das Curandeiras Andinas, antes de curarmos aos outros, precisamos nos curar.
Nós mulheres carregamos em nossa bagagem diversas roupas sujas, escuras que já não nos servem mais e com o medo de quando lavarmos a mesma não mais nos servir, carregamos mesmo sabendo que já não nos serve mais, pelo simples falta de termos medo de desapegar-se… Temos medo de desapegar de ciclos, de relacionamentos desgastantes, de empregos que não mais nos acrescentam, tudo isso com o medo do novo. Nos colocamos em situações de desgaste e esgotamento, quando o nosso coração nos diz que algo chegou ao fim, não escutamos e seguimos levando o fardo, acrescentando em nossos ombros pesos que não seriam necessários… Nos colocamos em situações que nos geram magoas e sofrimentos, quando poderíamos ser responsável por deixar a alegria e a paz em nosso interior.
Por carregarmos por tanto tempo esses pesos conosco, muitas vezes não conhecemos a nossa leveza, a nossa pureza e sensibilidade, não nos conhecemos como fêmeas, mas sim entramos em jogos de competição, de disputa e de chateações, ao invés de lembrarmos que o dom da mulher é o AMOR….
Quando nos abrimos para o despertar da Mulher Ancestral, começamos a desvelar em nosso ser muito dos nossos dons, e um deles é o de cuidar, acolher , curar… Começamos a perceber que conosco trazemos uma medicina, seja o tecer, o falar, o cantar, o cozinhar, algo que fazemos que faz bem a nós e aos outros, assim começamos a perceber que somos mulheres curandeiras, mulheres sabias, somos cíclicas e conosco carregamos o dom da alquimia
Mas antes de qualquer coisa devemos lembrar que para ajudar o processo de cura de cada ser que nos chega, a primeira a ser curada é nós mesmas, precisamos conhecer nossas sombras, nossos medos, nossa projeções, nossos erros e acertos, pois só assim conseguiremos enxergar o outro com compaixão, respeito, amor e principalmente sem julgamentos…
Para acolher e demonstrar amor o outro, só conseguiremos quando nós amarmos,e só podemos nós amar quando primeiramente formos as curandeiras de nós mesmas

Carol Shanti – Via Xamanismo para Mulheres

O VALOR DE UMA DONA DE CASA

 

1051

Um homem chegou em casa, após o trabalho, e encontrou seus três filhos brincando do lado de fora, ainda vestindo pijamas.
Estavam sujos de terra, cercados por embalagens vazias de comida entregue em casa.
A porta do carro da sua esposa estava aberta.
A porta da frente da casa também.
O cachorro estava sumido, não veio recebê-lo.
Enquanto ele entrava em casa, achava mais e mais bagunça.
A lâmpada da sala estava queimada, o tapete estava enrolado e encostado na parede.
Na sala de estar, a televisão ligada aos berros num desenho animado qualquer, e o chão estava atulhado de brinquedos e roupas espalhadas.
Na cozinha, a pia estava transbordando de pratos; ainda havia café da manhã na mesa, a geladeira estava aberta, tinha comida de cachorro no chão e até um copo quebrado em cima do balcão.
Sem contar que tinha um montinho de areia perto da porta.
Assustado, ele subiu correndo as escadas, desviando dos brinquedos espalhados e de peças de roupa suja.
‘Será que a minha mulher passou mal?’ ele pensou.
‘Será que alguma coisa grave aconteceu?’
Daí ele viu um fio de água correndo pelo chão, vindo do banheiro.
Lá ele encontrou mais brinquedos no chão, toalhas ensopadas, sabonete líquido espalhado por toda parte e muito papel higiênico na pia.
A pasta de dente tinha sido usada e deixada aberta e a banheira transbordando água e espuma.
Finalmente, ao entrar no quarto de casal, ele encontrou sua mulher ainda de pijama, na cama, deitada e lendo uma revista.
Ele olhou para ela completamente confuso, e perguntou: Que diabos aconteceu aqui em casa?
Por que toda essa bagunça?
Ela sorriu e disse:
– Todo dia, quando você chega do trabalho, me pergunta:
– Afinal de contas, o que você fez o dia inteiro dentro de casa?’
– Bem… Hoje eu não fiz nada, FOFO !!!!

Por: Michelle Franzoni – Autora do Blog da Mimis, artista visual e doutora em Gestão do conhecimento, atua nas áreas de qualidade de vida e bem estar.